A cada dia que passa, mais são as vezes que chamo por ti em silêncio. Hoje dei por mim a relembrar aqueles nossos momentos, que ninguém sabe sequer que existiram. As lágrimas corriam pelo meu rosto, e na minha cabeça ecoavam as palavras que me dizias. Sabes o que encontrei nessa caixinha de recordações a que recorri? Os nossos planos. Sim, aqueles que nos juntavam por muito, muito tempo. Não era para sempre, mas sim para depois disso, porque o sempre para nós não chegava. Pelos vistos, isso é um dos sonhos que tu levaste contigo. Ainda tenho o teu cheiro agarrado a mim mas já não sinto a tua presença. Quem me dera que voltasses durante a noite para me abraçares e me dizeres vezes sem conta que me amas. É que as tuas visitas em sonhos não chegam, eu preciso do teu toque, esse mesmo toque que já conhece o meu corpo como se sempre tivesse morado nele. Secalhar já estou a pedir de mais não é? Mas só mais uma coisa... Espero um dia voltar a conjugar o verbo amar, contigo, no presente, mas até lá, limito-me a esperar.
Porque por vezes o que precisamos está mesmo ao nosso lado , nós é que não o vemos .
quarta-feira, 9 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Deitas tudo a perder assim? Tudo bem, apenas te tenho a dizer que vou ter saudades. Saudades dos abraços que tu me davas, das nossas conversas, das vezes todas que foste a ÚNICA pessoa que me conseguiu fazer sorrir. Tu sabes perfeitamente que te considero das melhores pessoas do mundo, não queres é ver isso. Talvez tenha exigido demais de ti, mas não o terás tu feito comigo também? Já agora, alguma vez estiveste disposto a cumprir as promessas que me fazias? É que eu sim e tentei, tu é que não aguentaste tanta responsabilidade secalhar. Agora sei que já não há nada a fazer e sei também que amizade como a nossa não vou encontrar mais. Não vou ter quem me ponha os olhos a brilhar com tanto orgulho, não vou ter quem tenha as palavras certas para mim quando tudo está errado, não vou ter quem simplesmente me limpe as lágrimas e partilhe toda a força que tem comigo. Quando te disse que eras eterno, é porque eras mesmo B*.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Até um dia
Já a noite ia longa e as nossas pegadas marcavam o imenso areal. As ondas batiam contas as rochas numa melodia certa e ritmada, enquanto tu te limitavas a abraçar-me como nunca o fizeras antes. Sempre soube que deixar partir os que mais amamos é difícil, mas tu já não amavas ninguém. Podias gostar de mim, mas não me amavas. Quando te olhei nos olhos e te pedi que me dissesses o que realmente sentias, tu apenas me contemplaste com um “não sei”. Senti o mundo desabar debaixo dos meus pés e a seguridade a que me habituaste nos últimos meses, desapareceu toda numa fracção de segundos. As lágrimas corriam umas atrás das outras, qual menina perdida no meio da multidão. Tu pedias-me para ter calma, “mas calma para quê se acabaste de destruir o meu maior investimento? Se acabaste de me levar o coração? Não é justo” era o que mais ecoava na minha cabeça. Quando finalmente tiveste um pico de coragem, envolveste-me nos teus braços, que já tantas vezes me tinham acolhido, mas desta, seria a última vez. Acabas-te a pedir-me desculpa, e desta feita, beijaste-me a testa e desapareceste no escuro, coberto de vergonha e arrependimento. Nesse mesmo momento, o mar revoltou-se e a melodia que uns minutos antes ainda me envolvia, tornara-se assustadora. Depois dessa noite? Aprendi a viver, não da maneira que me ensinaste, mas da maneira que me impuseram. Até um dia.
sábado, 29 de maio de 2010
até logo
Os dias passam e já começo a sentir a tua ausência, mesmo continuando a ter-te comigo. Nunca gostei de sofrer por antecipação mas desta vez talvez seja apenas um modo de preparação para o que está para vir. Vou sentir falta do sorriso que a cada dia mexia todos os meus sentidos mas sobretudo, falta dos abraços que me protegiam e me deixavam a sonhar durante horas. Sonhar, isso mesmo. É o que já faço há muito, muito tempo. Já me considero uma coleccionadora de sonhos, porque a minha vida que ainda está ligada a ti, surgiu das nossas memórias e apenas existe na minha cabeça. Gostava de um dia partilhar essa vida contigo, deixas?
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Regressar a casa
E se hoje eu te pedisse de novo que te abraçasses a mim, me dissesses que me amavas? Serias capaz de fingir outra vez? Brincas com os sentimentos dos outros como uma criança brinca com uma bola, foste abençoado com esse dom e sabes tirar o proveito, não fosses tu um homem com H grande. Para ti as palavras eram a maneira mais eficaz de demonstrar amor eterno e a cama de satisfazer o teu deleite mais absoluto, qual animal selvagem sedento de prazer. Foste capaz das maiores atrocidades só para demonstrares que me amavas, mas pelos vistos tratava-se apenas de uma demonstração. Tinha tanto amor para dar e escolhi-te a ti, feliz contemplado, que me recebeste de braços abertos e tiraste o máximo proveito, mas que mais tarde, quando te fartaste, fizeste como todos os outros que me receberam dessa mesma forma e deixaste-me, levando tudo o que me conseguiste tirar. E o meu coração foi contigo e em mim apenas deixas-te uma carrada de cicatrizes que insistem em não sarar relembrando cada noite de loucura e cada dia de paixão. Se um dia me pudesses trazer o que me tiraste agradecia, mesmo que o meu coração venha carregado de feridas e memórias, eu estou disposta a recebe-lo esperando alguém que trate dele.
O nosso coração é só um, apenas vai e vem conforme as pessoas entram e saem das nossas vidas, regressando sempre com as feridas com que nos deixou. Também não podemos esperar que alguém o cure por nós, muito menos a mesma pessoa que um dia o maltratou e o feriu. Sabes, o teu cheiro ainda está agarrado à minha pele e o teu toque ainda percorre o meu corpo. Será que é o teu espírito que durante a noite faz questão de regressar a casa? Ao menos sabes que se quiseres regressar a casa só o poderás fazer em sonhos, porque desta vez a minha porta fechou-se para ti de vez e não, não tens mais um lugar na minha cama, a mesma cama que milhares de vezes habitas-te mas que um dia irá ser ocupada por alguém que não goste de fazer demonstrações, mas sim alguém que goste de amar.
domingo, 16 de maio de 2010
Lutar contra a maré
As saudades chegaram, e agora? Preciso de respostas mas elas não existem ou então não estão correctas e ainda por cima já não me resta tempo. Sinto a vida a passar por mim a uma velocidade alucinante e eu permaneço aqui, parada, à espera que o passado não tenha passado e volte em bruto com tudo o que ele tinha. Mas para quê? Para viver a sonhar e a tentar acreditar no que nem tu acreditavas? Isso não é vida para ninguém, excepto para mim. Não percebes que a minha vida ainda és tu e ainda percebes menos que ainda és tu que tens o meu coração. Ele pertence-te e ninguém consegue recuperá-lo por mais que eu queira e que ele precise. Sinto o som das ondas do mar a envolver-me numa melodia acertada e quase perfeita e os meus olhos transbordam de recordações que tu criaste. Só tu, tu, tu e então eu? E os meus sonhos? O passado tem que ficar onde aconteceu e não onde acha que faz falta. Mais uma vez vejo os casais apaixonados e de mãos dadas, com uma cumplicidade nos olhares que eu só tive a sorte de sentir contigo. Sempre que me apertavas a mão com força era como se eu me sentisse protegida e sentia mesmo que de ti ninguém me tirava, mas afinal de contas foste tu que me largaste. O sol começa a esconder-se e a brisa do mar começa a esbofetear-me, como se eu tivesse culpa de estar carregada de memórias e ainda viver presa no meu passado e as lágrimas persistem cada vez mais em cair. Estou sozinha, tenho medo! Em silêncio chamo por ti, mas tu não me ouves, ou então não me queres ouvir. Sempre me guardaste de todos os meus medos, não faz sentido agora deixares-me aqui, sozinha, sem saber o que fazer. Já não sinto os olhos, tenho os lábios secos e a minha voz já não se faz ouvir, perdi as forças e os sentidos. Deixei de lutar contra a maré e conformei-me.
sábado, 15 de maio de 2010
Se queres gritar, grita. Se queres chorar, chora. Se queres perder o controlo, perde e não te preocupes com mais nada. Mostra que és humana e não és de ferro, que sofres e precisas do que amas. Eu já o fiz, mas não me trouxe nada de volta nem de novo. Mas eu já cai no abismo, tu talvez ainda sejas uma sobrevivente. Agarra-te a tudo o que tens porque não há nada pior do que perder a vontade de lutar contra a maré e deixar-se envolver por cada gota de água num sofrimento sem fim. Não existes, grita. Grita as vezes que for preciso, chama pelo nome de quem desejas contigo, talvez esse alguém te ouça e sinta a tua urgência, grita até ficares sem voz, mas grita. O amanhã só existe para quem já ultrapassou o hoje, caso contrário será apenas a continuação. Estás a sentir as lágrimas percorrer o teu rosto? Então não as traves, deixa-as correr em direcção ao seu destino. Elas sabem para onde vão e nunca esquecerão de onde e porque vêm. Sentir-te-ás mais aliviada depois de as deixares seguir o seu caminho. Se queres gritar, chorar e perder o controlo, então grita, chora e perde-o mas nunca desistas, tal como eu.
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