sábado, 29 de maio de 2010

até logo

Os dias passam e já começo a sentir a tua ausência, mesmo continuando a ter-te comigo. Nunca gostei de sofrer por antecipação mas desta vez talvez seja apenas um modo de preparação para o que está para vir. Vou sentir falta do sorriso que a cada dia mexia todos os meus sentidos mas sobretudo, falta dos abraços que me protegiam e me deixavam a sonhar durante horas. Sonhar, isso mesmo. É o que já faço há muito, muito tempo. Já me considero uma coleccionadora de sonhos, porque a minha vida que ainda está ligada a ti, surgiu das nossas memórias e apenas existe na minha cabeça. Gostava de um dia partilhar essa vida contigo, deixas?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Regressar a casa

E se hoje eu te pedisse de novo que te abraçasses a mim, me dissesses que me amavas? Serias capaz de fingir outra vez? Brincas com os sentimentos dos outros como uma criança brinca com uma bola, foste abençoado com esse dom e sabes tirar o proveito, não fosses tu um homem com H grande. Para ti as palavras eram a maneira mais eficaz de demonstrar amor eterno e a cama de satisfazer o teu deleite mais absoluto, qual animal selvagem sedento de prazer. Foste capaz das maiores atrocidades só para demonstrares que me amavas, mas pelos vistos tratava-se apenas de uma demonstração. Tinha tanto amor para dar e escolhi-te a ti, feliz contemplado, que me recebeste de braços abertos e tiraste o máximo proveito, mas que mais tarde, quando te fartaste, fizeste como todos os outros que me receberam dessa mesma forma e deixaste-me, levando tudo o que me conseguiste tirar. E o meu coração foi contigo e em mim apenas deixas-te uma carrada de cicatrizes que insistem em não sarar relembrando cada noite de loucura e cada dia de paixão. Se um dia me pudesses trazer o que me tiraste agradecia, mesmo que o meu coração venha carregado de feridas e memórias, eu estou disposta a recebe-lo esperando alguém que trate dele.
O nosso coração é só um, apenas vai e vem conforme as pessoas entram e saem das nossas vidas, regressando sempre com as feridas com que nos deixou. Também não podemos esperar que alguém o cure por nós, muito menos a mesma pessoa que um dia o maltratou e o feriu. Sabes, o teu cheiro ainda está agarrado à minha pele e o teu toque ainda percorre o meu corpo. Será que é o teu espírito que durante a noite faz questão de regressar a casa? Ao menos sabes que se quiseres regressar a casa só o poderás fazer em sonhos, porque desta vez a minha porta fechou-se para ti de vez e não, não tens mais um lugar na minha cama, a mesma cama que milhares de vezes habitas-te mas que um dia irá ser ocupada por alguém que não goste de fazer demonstrações, mas sim alguém que goste de amar.

domingo, 16 de maio de 2010

Lutar contra a maré

As saudades chegaram, e agora? Preciso de respostas mas elas não existem ou então não estão correctas e ainda por cima já não me resta tempo. Sinto a vida a passar por mim a uma velocidade alucinante e eu permaneço aqui, parada, à espera que o passado não tenha passado e volte em bruto com tudo o que ele tinha. Mas para quê? Para viver a sonhar e a tentar acreditar no que nem tu acreditavas? Isso não é vida para ninguém, excepto para mim. Não percebes que a minha vida ainda és tu e ainda percebes menos que ainda és tu que tens o meu coração. Ele pertence-te e ninguém consegue recuperá-lo por mais que eu queira e que ele precise. Sinto o som das ondas do mar a envolver-me numa melodia acertada e quase perfeita e os meus olhos transbordam de recordações que tu criaste. Só tu, tu, tu e então eu? E os meus sonhos? O passado tem que ficar onde aconteceu e não onde acha que faz falta. Mais uma vez vejo os casais apaixonados e de mãos dadas, com uma cumplicidade nos olhares que eu só tive a sorte de sentir contigo. Sempre que me apertavas a mão com força era como se eu me sentisse protegida e sentia mesmo que de ti ninguém me tirava, mas afinal de contas foste tu que me largaste. O sol começa a esconder-se e a brisa do mar começa a esbofetear-me, como se eu tivesse culpa de estar carregada de memórias e ainda viver presa no meu passado e as lágrimas persistem cada vez mais em cair. Estou sozinha, tenho medo! Em silêncio chamo por ti, mas tu não me ouves, ou então não me queres ouvir. Sempre me guardaste de todos os meus medos, não faz sentido agora deixares-me aqui, sozinha, sem saber o que fazer. Já não sinto os olhos, tenho os lábios secos e a minha voz já não se faz ouvir, perdi as forças e os sentidos. Deixei de lutar contra a maré e conformei-me. 

sábado, 15 de maio de 2010

Se queres gritar, grita. Se queres chorar, chora. Se queres perder o controlo, perde e não te preocupes com mais nada. Mostra que és humana e não és de ferro, que sofres e precisas do que amas. Eu já o fiz, mas não me trouxe nada de volta nem de novo. Mas eu já cai no abismo, tu talvez ainda sejas uma sobrevivente. Agarra-te a tudo o que tens porque não há nada pior do que perder a vontade de lutar contra a maré e deixar-se envolver por cada gota de água num sofrimento sem fim. Não existes, grita. Grita as vezes que for preciso, chama pelo nome de quem desejas contigo, talvez esse alguém te ouça e sinta a tua urgência, grita até ficares sem voz, mas grita. O amanhã só existe para quem já ultrapassou o hoje, caso contrário será apenas a continuação. Estás a sentir as lágrimas percorrer o teu rosto? Então não as traves, deixa-as correr em direcção ao seu destino. Elas sabem para onde vão e nunca esquecerão de onde e porque vêm. Sentir-te-ás mais aliviada depois de as deixares seguir o seu caminho. Se queres gritar, chorar e perder o controlo, então grita, chora e perde-o mas nunca desistas, tal como eu.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sinto as pernas a tremer e o mundo a desabar à minha volta. Que se passa? Perdi toda a razão e passei totalmente a pensar com o mais mortífero de todos os nossos órgãos, o coração. Eu quero largar-me deste desejo sem fim mas não consigo! Estou demasiado envolvida e a sede de prazer apodera-se de mim. Para quê olhar para trás e querer tudo de volta? Não sei, não sei mesmo. Porque não vale a pena. O que aconteceu no passado é conjugado no pretérito perfeito e não pode ser conjugado novamente no futuro. O verbo amar já não pode existir entre nós, é um erro, é uma loucura. Um loucura da qual eu sou prisioneira e não há meio de me soltar dela. Sou prisioneira do meu próprio prazer. Já não sei mais em quantos sentidos te quero porque afinal de contas eu preciso de ti em tudo, eu revejo-te juntamente com tudo o que passamos e sentimos nas coisas mais inúteis e sem sentido. Estás tão presente mas fazes parte do passado e não te posso deixar entrar no meu futuro. Preciso de algo novo, de descobrir um novo sentimento mas para isso preciso de alguém, alguém que saiba melhor ainda do que tu soubeste (considero-o impossível) cativar-me. Duvido encontrar alguém a quem lhe baste um sorriso para me levantar a moral sem contar. Aos meus olhos és perfeito, és aquilo. Mas não podes. Os meus olhos estão possuídos por o amor que me encheu totalmente, esse amor por ti que não me deixa continuar. Eu sempre fui um autêntico mar para que é que me transformaste num pequeno lago de águas turvas e paradas? Sinto-me a morrer aos poucos, não aos olhos de toda a gente, mas sim aos sentidos do meu coração. Ele já não vê, cegou de amor, ele já não ouve ninguém porque tem medo de mais desilusões, ele já só sente o teu cheiro e apenas sente, sente este sentimento inacabável que nem a razão consegue compreender. Poder não basta, também é preciso querer.