sexta-feira, 15 de abril de 2011

vai e vem

Lá por hoje estares a pensar 24 horas sobre 24 horas nele, não quer dizer que amanhã ainda o estejas. Os homens conseguem sair do nosso coração da mesma maneira que entraram, só demora é o seu tempo e depende da vontade de nós temos. Que eu saiba a porta é a mesma, não? E sendo eles como são, ao sentirem mais alguém entrar na sua casa, saem no momento, para não se sentirem inferiores ou, pelo menos, não serem passados para segundo plano. No entanto, há sempre um homem no meio desses milhões, que é capaz de aceitar a presença dos demais porque a casa onde está pertence-lhe ou pelo menos, quer que lhe pertença e sendo assim, deixa entrar toda a gente, mas quando essa correria toda acabar, ele vai continuar lá, sentado no seu sofá, à espera que te sentes ao lado dele e lhe digas o quão ele é importante para ti. A isso dá-se o nome de amor, a verdadeira maneira de amar. A minha porta está aberta, mas a casa está vazia. Podias aparecer, por favor?!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Coração e memórias perdidas.

       Assim como os tempos vão, as memórias voltam. Cada dia mais destruídas mas com mais saudade e vontade de deixarem de ser apenas memórias e passarem a presente. Faz bem recordá-las, mas só servem para isso e não podem ser reconstruídas como um castelo desmoronado, se não ninguém lhes dava o valor que têm. Quando elas vêm, eu volto a tempos em que se calhar fui muito mais feliz do que agora, mas em que não tinha o que tenho hoje. Sinceramente? É preciso deixarmos o que tivemos arrumado, porque o que conta não são as memórias do que aconteceu, mas sim, o que está a acontecer. No que toca a assuntos do coração, parece que escolhemos cada memória minuciosamente, uma a uma, de maneira a que só as partes boas nos toquem. Mas o amor nunca é apenas feito de partes boas. Também tem os seus baixos e as suas curvas e é dai que nascem os grandes amores, nunca da felicidade incondicional. O coração precisa de mudar de batida, precisa de ser tocado de maneira diferente, se não não vai mudar o que se passa lá dentro. Por muito que o neguem, ele tem uma parte racional que é capaz de ser mais racional do que a própria cabeça, se não como é que ele saberia que determinada pessoa é a certa? Ele sabe-o desde sempre, como se fosse uma lei universal que toda a gente deveria conhecer. Nós é que somos cegos ao que ele diz e não sabemos ver para além do óbvio. O cérebro mede as palavras, o coração mede os actos e os sentimentos que deles partem. Por isso é que eu sei que não me enganei e sim, sou feliz assim, entre memórias roubadas pelo tempo e toques que ninguém vê.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

toxicodependente de amor (?)


Quero-te, mas não te quero. Preciso de ti, mas faço por não precisar. Não vivo sem ti, mas sobrevivo. Nem sequer choro por ti, mas sim por mim. Por ver os dias a passar (e cada vez mais devagar) e não conseguir fazer nada para mudar o sentido do vento, o brilho do sol ou lá o que seja. Não sei se é de mim, se de que é, mas quando eras tu que mudavas o mundo comigo, era tudo natural, tudo tão simples. Agora? Agora nada muda e das duas uma, ou eu parei ou parou o mundo. E isso soa-me tão estranho como se de repente tivesse mudado de dimensão e tudo à minha volta estivesse morto, sem vida, sem cor. Bem, pelos vistos o problema não está no mundo nem nos outros, está mesmo em mim. Em mim e na minha estúpida mania de me tornar depende do amor que me dão. Sou toxicodependente, mas não é de drogas, é de amor. Se acham que não é tão duro, enganam-se, porque a dureza das coisas está nas pessoas que as encaram, e eu quanto a força deixo muito a desejar. Já ouvi falar muita gente sobre desistir de si própria, nunca soube o que isso era, nem sei os sintomas dessa doença. Mas começo a achar que não tem sintomas e chega com pézinhos de lã, como quem não quer a coisa, e instala-se sem dar-mos conta. Isto porque eu olho para essas pessoas, e revejo-me a mim. Como um espelho da alma que reflecte tudo para o exterior. Só mais uma coisa antes de me ir embora. Caso alguém saiba ao certo como tratar disto, é favor dizer. Preciso de voltar a ter a velocidade dos dias na minha mão, a direcção do vento na minha pele e o brilho do sol no meu coração. Obrigada. 

sábado, 25 de dezembro de 2010

Artesãos do coração

Como quem diz que o amor é algo que não se escolhe, eu digo que é algo que já vem destinado. Ele sabe desde sempre o coração que quer encher, mesmo quando nós insistimos em negá-lo. Nós, mulheres, temos a mania de adiar. Adiamos ao máximo as decisões, mesmo quando elas já estão tomadas, mas cá para mim, a isso dá-se o nome de zona de segurança. Para os homens, isso não existe. Andam numa tentativa e erro constante, em vez de adiarem antecipam, ao menos sabem que não desistiram sem tentar. Isto é mais o instinto a responder, são predadores de raça e homens de nome, dito isto, não há nada a acrescentar.
Mesmo assim, dentro dos homens há dois tipos: os racionais e os irracionais. Os racionais, são artesãos autênticos. Pegam no amor das mulheres e transformam-no na sua vida. Entram na nossa vida com pezinhos de lã, muito cautelosos e quase sem darmos por eles, e quando vamos a ver já estão instalados na nossa alma e coração. Os irracionais são os tais que se atiram de cabeça como se não houvesse amanhã. Precisam de andar sempre de capacete em punho, porque não sabem ao certo em que momento a queda vai acontecer no sítio errado e, normalmente, na única vez que pensam bem antes de se atirar, é quando se magoam mais.
Sinceramente? Estou à espera do meu artesão. Aquele que entra com pezinhos de lã, muito cauteloso e sem dar por ele, para ver se pega mesmo no amor que tenho guardado comigo e o transforma à maneira dele. Cá para mim, ele está mesmo à minha beira, eu é que ainda não o vi, mas gostava, porque afinal de contas, dois corações trabalham melhor que um. 

domingo, 21 de novembro de 2010

Amor e jeito

Não existe apenas uma pessoa certa para cada pessoa. O que acontece é que nós só temos tempo para encontrar uma pessoa que encaixe total ou, pelo menos, parcialmente connosco. E há muita gente que nem sequer consegue encontrar uma dessas pessoas. Parece que só têm pontaria para as pessoas menos certas que no fundo acabam por preencher as almas alheias, mas não completamente. É preciso saber reconhecer as pessoas, mas se nunca sentimos a nossa alma e o nosso coração completos antes, como é que vamos saber se já está ou não? É complicado, mas ainda assim, há quem consiga. Eu gostava muito de conseguir isso por uma questão de poupar o meu coração. Ele já começa a ficar farto de pessoas erradas, que acabam por o habitar da maneira errada e de o usar como bem querem. E isto não é assim, porque ele precisa de alguém que saiba perfeitamente como tratá-lo, como agarrar nele e molda-lo como é preciso. É tudo uma questão de jeito, jeito e amor. É pena ser tão raro ter as duas coisas juntas numa só pessoa, se não, eu já era uma princesa com um príncipe e um castelo, além disso, já tinha a minha história na mão de muitas crianças para que elas vissem que sim, o amor existe.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Contos de fadas

Na primeira página da nossa história prometemos mundos e fundos, promessas que podíamos nunca cumprir mas que ficaram lá eternamente escritas para que ao menos ficasse marcada essa intenção. Escrevíamos amor e mostrávamos paixão, tínhamos o poder de duas crianças com um coração cheio e pronto para ser tocado por outra alma. Tudo só na primeira página. Como a introdução de uma bonita história de amor. Sim, é isso mesmo. Falamos sempre nesse tom surdo que só nós ouvíamos para que ninguém descobrisse os nossos segredos e tudo aquilo que queríamos partilhar. Vais-me dizer que já te esqueceste de tudo isso? Eu sei que não, sei que quando passas pelos sítios que partilhamos, ainda te lembras de mim, lembraste e sentes aquela vontade infinita de me agarrar e nunca mais largar. Não significa que ainda nos amemos, mas esse sentimento de carinho e a posição que marcamos um para o outro nunca vai mudar, mesmo que hoje já não sejas quem eras para mim. Tudo mudou e já temos a nossa história de princesas e príncipes acabada, mas é bom pegar no nosso livro e lê-lo de uma ponta a outra sentindo-me em casa, conhecendo-o melhor que ninguém e sentido cada palavra como se fosse a coisa mais preciosa que alguma vez alguém disse. Vou guardar esse livro juntamente com tudo aquilo que a ti diz respeito e sempre guardarei com o maior dos amores e considerações, para sempre. Um homem não faz vingar a sua posição na vida de uma mulher por aquilo que faz ou tem, mas sim por aquilo que sente e demonstra. Tão simples quanto isto.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

memórias


Quando não tiveres nada que te ocupe o tempo e tenhas saudades nossas, pega na nossa caixa de pandora e vasculha lá muito bem. É sempre bom reviver o passado, pelo menos o passado que nos preencheu o coração e a alma durante uma pequena vida. Aposto contigo que vais encontrar coisas que nunca pensaste que poderiam existir, mas te garanto que existiram e foi graças a nós. Agora que já deixaste o meu coração, consegui olhar para ti como tu és realmente e consegui perceber também que fui uma santa. Sim, fui. Porque acreditei em ti, em toda a tua boa vontade, em todo o amor que tu falavas mas não demonstravas. Acreditei porque te amava, porque me recusava a ver que tu não podias ser perfeito, tal como não és. Irónico não é? Quanto mais amamos as pessoas, menos as conhecemos. Ou melhor, menos nos recusamos a conhece-las. Mas como diz o ditado, mais vale tarde do que nunca e agora já consigo ver a tua versatilidade com o lado feminino e a tua tão grande falta de amor. É triste chegar ao fim e ver que nada ficou contigo. Quer dizer, só ficou o que te convém, enquanto que eu tenho tudo guardado na mais infinita de todas as caixas. Se quiseres, quando não tiveres mesmo nada que te ocupe o tempo, podes pedir-me tudo isso. Eu empresto-te, pode ser que queiras guardar mais qualquer coisa e nem precisas de ter saudades nossas.