Às vezes gostava de perceber porque é que gostas de me manter presa a ti se o que nos unia já acabou há muito tempo. Aliás, nem sei se alguma vez estivemos unidos. Cá para mim esse fio invisível só fui eu que o criei e era alimentado pelo amor que tinha por ti. No entanto, insistes em agarrar-me com toda a tua força, tentando meter-me na cabeça que és louco por mim e que nunca vamos deixar a nossa história acabar. Podes enganar tudo, menos o coração. Esse consegue sentir o que tu queres a quilómetros de distância meu querido, e mais tarde ou mais cedo acaba sempre por conseguir mandar-te para bem longe, para um lugar onde ele não consiga voltar a sentir o teu toque ou simplesmente sentir-te a ti. Posso dizer-te que ele ainda te conhece de cor e sabe distinguir-te no meio da multidão sem precisar de te ter por perto, mas isso é o mínimo que se pode esperar de um amor tão grande, não achas? É irónico perguntar-te isto. Logo a ti, que nunca aprendeste a definição de amor, quanto mais conseguires senti-lo. Só quem consegue pegar no coração de alguém e molda-lo devagar e com todo o carinho, é que sabe o que é amar, e tu entras na vida das pessoas mantendo uma capa invisível a volta do teu coração para não deixares as pessoas lá entrar. Tens medo de te apaixonar a sério e depois não conseguir dar a volta por cima, mas acho que isso viste pelo que aconteceu comigo em relação a ti, não é? Pois bem, já dei a volta por cima, mas tens de ser tu a escrever a ultima página da nossa história. Eu já escrevi demais e estou cansada. Além disso, quero ver se consegues ser tão homem a deixar as tuas palavras eternizadas, como és a dá-las ao vento para ele as levar.
Porque por vezes o que precisamos está mesmo ao nosso lado , nós é que não o vemos .
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Arrumações da vida
Quando quiseres seguir a tua vida e reconstruí-la toda do zero, lembra-te que para isso tens de arrumar primeiro o passado. Pegar nele, juntá-lo a todas as tuas recordações e, com muito cuidado, guardá-lo numa mala que vais guardar debaixo da tua cama. Não vale de nada ficar sem o que já aconteceu porque foi isso que nos moldou ao que somos agora. Por pior que tenha sido, há sempre boas recordações. E por muito que queiras esquecer tudo, o teu coração não vai deixar porque ele faz questão de manter cada momento e cada palavra com ele, mesmo as coisinhas de que já ninguém se lembra. Funciona como uma caixa Pandora que deixa entrar quem quer, mas a partir do momento que se está lá dentro, nunca mais se sai. Por isso mesmo é que nós nunca esquecemos um grande amor, apenas o substituímos com todo o cuidado e dedicação, por um maior. Eu já arrumei a minha mala e a guardei, de que estás à espera?!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
de menina a mulher.
De uma vez por todas aceitei a realidade e deixei para trás as ilusões que criei. Agora já sei o que não quero para mim e tu estás nessa lista. Estás tu e tudo o que a ti está associado. Já chega de passar as horas a contar os minutos que passei contigo, já chega de tentar escrever uma história amor com sentimentos inventados, já chega de chorar por mim e por ter sido ingénua ao ponto de ir na tua conversa. Por muitas boas recordações que guarde do que tivemos, agora consigo ver os defeitos que até agora nunca tinha aceite. Consigo também (e não penses que foi fácil consegui-lo) aceitar a tua verdadeira natureza e perceber que afinal não passei mesmo de uma boneca para ti. Brincavas e deitavas fora como uma criança que num dia faz birra por ter um brinquedo e depois o destrói, peça a peça, até não sobrar nada. Era isso que tu fazias, num ciclo vicioso que chegou agora ao fim. A boneca que conheceste desapareceu e deu lugar a uma mulher, uma mulher que sabe distinguir o verdadeiro do inventado, o amor das birras e, sobretudo, que sabe quando uma pessoa vale a pena, e definitivamente, tu não vales.
domingo, 17 de abril de 2011
Trabalhos do coração
Ama e mostra que amas sem medos. Não importa mais ninguém para além de ti e do teu coração. E ele é que manda, apesar de tentares ser tu a tomar o controlo da situação, pois apenas ele consegue avaliar os sentimentos das pessoas tal como eles são e se mostram. E aí está o amor. Se é o coração que o produz, porque é que tem de ser sempre a cabeça a tentar julgá-lo? Ela nunca vai conhecer a verdadeira essência que ele transporta, muito menos o seu sentido. Só o coração consegue avaliar essas coisas, por isso mesmo, deixa que ele tome partido na tua vida, que te traga o melhor de quem tens contigo e que dê o melhor de ti, porque melhor do que ninguém, ele sabe o que é amar. Deixa entrar nele quem te quer bem, quem te ama pelo teu melhor e trata de ti no teu pior. Está atenta, porque afinal de contas até pode ser a pessoa que tens agora ao lado, não achas?
sexta-feira, 15 de abril de 2011
vai e vem
Lá por hoje estares a pensar 24 horas sobre 24 horas nele, não quer dizer que amanhã ainda o estejas. Os homens conseguem sair do nosso coração da mesma maneira que entraram, só demora é o seu tempo e depende da vontade de nós temos. Que eu saiba a porta é a mesma, não? E sendo eles como são, ao sentirem mais alguém entrar na sua casa, saem no momento, para não se sentirem inferiores ou, pelo menos, não serem passados para segundo plano. No entanto, há sempre um homem no meio desses milhões, que é capaz de aceitar a presença dos demais porque a casa onde está pertence-lhe ou pelo menos, quer que lhe pertença e sendo assim, deixa entrar toda a gente, mas quando essa correria toda acabar, ele vai continuar lá, sentado no seu sofá, à espera que te sentes ao lado dele e lhe digas o quão ele é importante para ti. A isso dá-se o nome de amor, a verdadeira maneira de amar. A minha porta está aberta, mas a casa está vazia. Podias aparecer, por favor?!
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Coração e memórias perdidas.
Assim como os tempos vão, as memórias voltam. Cada dia mais destruídas mas com mais saudade e vontade de deixarem de ser apenas memórias e passarem a presente. Faz bem recordá-las, mas só servem para isso e não podem ser reconstruídas como um castelo desmoronado, se não ninguém lhes dava o valor que têm. Quando elas vêm, eu volto a tempos em que se calhar fui muito mais feliz do que agora, mas em que não tinha o que tenho hoje. Sinceramente? É preciso deixarmos o que tivemos arrumado, porque o que conta não são as memórias do que aconteceu, mas sim, o que está a acontecer. No que toca a assuntos do coração, parece que escolhemos cada memória minuciosamente, uma a uma, de maneira a que só as partes boas nos toquem. Mas o amor nunca é apenas feito de partes boas. Também tem os seus baixos e as suas curvas e é dai que nascem os grandes amores, nunca da felicidade incondicional. O coração precisa de mudar de batida, precisa de ser tocado de maneira diferente, se não não vai mudar o que se passa lá dentro. Por muito que o neguem, ele tem uma parte racional que é capaz de ser mais racional do que a própria cabeça, se não como é que ele saberia que determinada pessoa é a certa? Ele sabe-o desde sempre, como se fosse uma lei universal que toda a gente deveria conhecer. Nós é que somos cegos ao que ele diz e não sabemos ver para além do óbvio. O cérebro mede as palavras, o coração mede os actos e os sentimentos que deles partem. Por isso é que eu sei que não me enganei e sim, sou feliz assim, entre memórias roubadas pelo tempo e toques que ninguém vê.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
toxicodependente de amor (?)
Quero-te, mas não te quero. Preciso de ti, mas faço por não precisar. Não vivo sem ti, mas sobrevivo. Nem sequer choro por ti, mas sim por mim. Por ver os dias a passar (e cada vez mais devagar) e não conseguir fazer nada para mudar o sentido do vento, o brilho do sol ou lá o que seja. Não sei se é de mim, se de que é, mas quando eras tu que mudavas o mundo comigo, era tudo natural, tudo tão simples. Agora? Agora nada muda e das duas uma, ou eu parei ou parou o mundo. E isso soa-me tão estranho como se de repente tivesse mudado de dimensão e tudo à minha volta estivesse morto, sem vida, sem cor. Bem, pelos vistos o problema não está no mundo nem nos outros, está mesmo em mim. Em mim e na minha estúpida mania de me tornar depende do amor que me dão. Sou toxicodependente, mas não é de drogas, é de amor. Se acham que não é tão duro, enganam-se, porque a dureza das coisas está nas pessoas que as encaram, e eu quanto a força deixo muito a desejar. Já ouvi falar muita gente sobre desistir de si própria, nunca soube o que isso era, nem sei os sintomas dessa doença. Mas começo a achar que não tem sintomas e chega com pézinhos de lã, como quem não quer a coisa, e instala-se sem dar-mos conta. Isto porque eu olho para essas pessoas, e revejo-me a mim. Como um espelho da alma que reflecte tudo para o exterior. Só mais uma coisa antes de me ir embora. Caso alguém saiba ao certo como tratar disto, é favor dizer. Preciso de voltar a ter a velocidade dos dias na minha mão, a direcção do vento na minha pele e o brilho do sol no meu coração. Obrigada.
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